quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Weissbier e a Reinheitsgebot

A cerveja de trigo, ou weissbier, é a especialidade da Baviera, mas não tem destaque na Oktoberfest de Munique. As razões para isso vem de 300 anos atrás, quando foi implantada a mais famosa lei sobre cerveja da Alemanha: "a exigência de pureza", ou Reinheitsgebot.

Há 300 anos a cerveja de trigo era tão comum na Alemanha que levou à escassez de alimentos, pois os cervejeiros disputavam com os padeiros o suprimento de grãos. Para restaurar a ordem, em 23 de abril de 1516 o duque Guilherme IV da Baviera promulgou a chamada "Reinheitsgebot", que tornava ilegal o uso pelos cervejeiros d equalquer outro cereal que não a cevada, inadequada para fazer pão.

Excetuou-se, entretanto, de sua própria lei quando delegou à Hofbrauhaus - a cervejaria da corte -, o direito exclusivo de produzir cerveja de trigo na Baviera.

A Reinheitsgebot também proibia o uso de qualquer outro ingrediente que não fosse água, cevada maltada e lúpulos em cervejas de baixa fermentação, excluindo assim, não apenas frutas e codimentos mas toda espécie de iingredientes mais dúbios comumente adicionados, como urtiga e cogumelos.

Isso deu à cerveja bávara uma garantia de pureza que era uma nítida vantagem comercial, e a lei em breve foi adotada em toda a Alemanha.

A Reinheitsgebot não vigora mais, mas deixou como herança uma reputação de pureza e qualidade à cerveja alemã.

Oktoberfest

Hoje começa a Oktoberfest. Grande festa em Blumenau para todos apreciarem.

Estive em Munique no ano passado e conheci a Hofbrauhaus, uma taberna que no passado foi a cervejaria do Estado e a única com licença para fazer cerveja de trigo na região da Baviera.

Quando me explicavam que era uma cervejaria do Estado, fiquei confuso. Depois entendi.

sábado, 26 de setembro de 2009

De volta...

Opa! Aqui estou novamente. Sim, não poderia ter ficado tanto tempo sem aparecer. Mas essa é a vida! Muitas coisas, muitos compromissos...
Então, após muitas leituras e provas consegui aprovação no Doutorado da UFSC. As aulas começam já na segunda feira próxima.
Tenho algumas coisas bacanas para postar, espero que gostem.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Roda dos expostos

Roda dos expostos – num período em que a família brasileira tinha uma estrutura dupla, ou seja, um núcleo legal constituído pelo casal e seus filhos legítimos, e a periferia, constituída de todos os tipos de empregados e dependentes a roda dos expostos solucionava o problema do abandono nas ruas, nas portas das casas de famílias e até nas igrejas.

Era a forma de salvar crianças em estado de abandono, causando preocupação pública, através de caridade institucional.

O trabalho doméstico foi uma das formas de contrapartida recebida pelas famílias acolhedoras.

Para a Roda dos expostos era uma oportunidade, também, de mão de obra barata ou gratuita, com o uso do trabalho infantil legitimado pela caridade, ou seja, a exploração transfigurada em virtude.

Causas e consequências

O trabalho doméstico é o que mais abrange o trabalho infantil.

As causas são várias, pois trata-se de um fenômeno complexo:

1. Raízes na escravidão que perdurou até século XIX

2. Histórico de ausência de proteção da criança e produção de leis voltadas à disciplina, ao controle e à repressão do universo infantil, segundo o qual o trabalho emerge como instrumento hábil para a produção de corpos úteis e produtivos, adequados aos interesses políticos e econômicos.

3. Relações de lealdade entre senhor e escravo – crianças empobrecidas brincavam ou eram brinquedos dos meninos da Casa Grande

4. Questões econômicas, culturais, educacionais e políticas que definem o ingresso no trabalho infantil.

5. Condições de pobreza e a baixa renda familiar são estímulos para o trabalho infantil doméstico.

6. Precarização das relações de trabalho conduz à utilização da mão de obra infantil para manter o padrão econômico da família.

7. A oferta e a demanda também são fatores determinantes. A oferta influenciada pelas características pessoais e do ambiente familiar, como idade e o gênero, a relação de importância atribuída às atividades de lazer e educação e a demanda, que inclui remuneração e a dispensa de qualificação específica para os empregos domésticos e a falta de atratividade da escola.

8. A pobreza é a causa fundamental, mas não exclusiva, de todo o trabalho de crianças e adolescentes. As dificuldades de sobrevivência e a necessidade de complementação de recursos pelo trabalho das mulheres empurram as crianças para o trabalho infantil doméstico.

Espaço doméstico

O trabalho infantil doméstico coloca a criança e o adolescente num verdadeiro “esquecimento”, numa “invisibilidade”, vez que é realizado no espaço privado, que oculta sua exploração.

Mitos do trabalho infantil doméstico

Esta parte do livro me provocou muito. Disseram os autores que alguns mitos são utilizados como argumento de legitimação da ocorrência do trabalho infantil. Vejamos:

1. É melhor trabalhar do que roubar – quem é trabalhador não é vadio (vadiagem era crime) – o Estado deveria garantir a propriedade com o uso da força sempre que necessário e também de formas “sutis”, como o presente mito.

2. O trabalho da criança ajuda a família – até 1950 a idéia do trabalho familiar decorre de cultura arraigada no imaginário agrícola – nesse contexto histórico que o trabalho da criança sempre foi considerado como mão de obra à disposição da família – naturalizando o uso da mão de obra infantil.

3. É melhor trabalhar do que ficar nas ruas – limpeza das ruas fundadas nos ideais higienistas. Meninos empobrecidos seriam associados à figura da delinqüência, e seu afastamento das ruas centrais era uma necessidade civilizatória. Na verdade era uma forma de desarticulação das reivindicações, restringindo-se o operário ao espaço da fábrica e da família.

4. Lugar de criança é na escola – o “afastamento das crianças das ruas”, espaço considerado potencialmente perigoso, foi realizado por meio da repressão jurídico-policial, onde o “bem-estar” da criança se faria no espaço “intra-muros” da instituição estatal. Furta, no entanto, a capacidade de as crianças apreenderem um pouco por si próprios, a partir de outras experiência não escolares.

5. Trabalhar desde cedo acumula experiência para o futuro – isso facilitaria acesso às oportunidades profissionais do futuro. O discurso individualista do “homem se faz” joga um importante papel no imaginário social. Revigora a ilusão das possibilidades de ascensão social no modo capitalista de produção.

6. É melhor trabalhar do que usa drogas – associava-se a idéia de infância com estigma social da delinqüência, propondo uma falsa solução de que o trabalho seria o redentor das drogas.